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29 de agosto de 2010

"Sociedades discretas" para adolescentes mantêm vivos rituais seculares

Ordens de jovens maçons, rotarianos e da ACM parecem misteriosas, mas quase sempre existem para promover liderança e caridade.



Milhares de jovens brasileiros fazem parte de organizações semi-secretas (na verdade, eles as definem como “discretas”, e não “secretas”) formadas exclusivamente por adolescentes. Muitas vezes cercados por mistérios e histórias mal-contadas, esses grupos têm quase sempre a intenção de promover a liderança de seus integrantes e realizar trabalhos sociais.

A Ordem Demolay
A seriedade dos jovens logo chama a atenção. Meninos que chegam ao templo maçônico de bermuda e camiseta, em poucos minutos estão de calça social preta, camisa branca e gravata preta, a roupa oficial sem a qual não podem participar das reuniões da Ordem Demolay. “A vestimenta em duas cores simboliza a dualidade entre os opostos, assim como a luz é oposta à sombra”, filosofa Murillo Gomes Ferrarez, 20 anos (seis como membro da organização), mestre conselheiro – espécie de presidente – da região metropolitana de São Paulo.



Sob a tutela da Maçonaria, a Ordem completa 30 anos no Brasil em 2010. Fundada em 1919 nos EUA, para unir garotos de 12 a 21 anos que perderam os pais na 1ª Guerra Mundial, o Demolay tem o objetivo principal de transformar jovens em líderes – segundo eles, por meio do fortalecimento de sete virtudes: amor pelos pais, referência ao sagrado, cortesia, companheirismo, fidelidade, pureza e patriotismo. “A maçonaria investe na Ordem por julgá-la fundamental no engrandecimento da humanidade”, conta José Roberto Torquato da Silva, maçom responsável por uma subdivisão da Ordem, o Capítulo Frank Shermann Land.

Por ser uma ordem discreta, como eles dizem, e não propriamente secreta, o Demolay desperta a imaginação de quem não conhece direito seu funcionamento. Parte do mistério existe em função da origem do grupo. O nome Demolay é uma homenagem ao último grão mestre da Ordem dos Templários, Jacques DeMolay, que foi queimado na fogueira pela Inquisição por se negar a entregar seus companheiros e os segredos que guardava. Em respeito a essa história, os jovens preservam a tradição e por isso pregam a amizade e a discrição.

Guilherme Falconi, nomeado diácono, zela pela "vela das virtudes"
Murillo também explica que os sinais, cumprimentos e rituais secretos são apenas uma maneira de preservar essas tradições sem alterações ao longo do tempo. “Nossa ritualística é fechada para não perdermos os detalhes com influências externas”, diz. “Até podemos ter segredos, mas o mais importante são os trabalhos filantrópicos que realizamos”, desconversa. Entre as ações principais, cita, estão as campanhas de doação de sangue e medula óssea.

A Ordem é divida em dois graus, o iniciático, formado pelos recém-ingressados, e o Demolay, que reúne os mais experientes, elevados após uma sabatina para testar seus conhecimentos. Neste caso, além do traje social, os membros vestem uma capa preta com detalhes em vermelho e dourado. “O vermelho representa o sacrifício para nosso aprimoramento e evolução; o preto representa o mistério e simboliza a morte da antiga vida fora da Ordem; já o dourado, significa as virtudes de cada membro”, explica Murillo.

Os meninos que atingem o segundo grau são divididos em cargos e cada um tem seu dever. O Capelão, por exemplo, é responsável pelo elo entre os membros e o Pai Celestial – que não é chamado de Deus já que todos os credos são aceitos. A autoridade máxima é o mestre conselheiro, como é o caso de Carlos Augusto Bicudo Caraça do Nascimento, 18 anos, empossado recentemente no comando do Capítulo Frank Shermann Land nº59 do Grande Conselho de Capítulos Demolay do Estado de São Paulo. “É uma grande responsabilidade, mas é um sonho que estou realizando”, celebra Carlos.


Patriotismo é uma das "sete virtudes" buscadas pelos jovens da Ordem

Para ingressar na Ordem Demolay, o jovem deve ser indicado por algum integrante da organização ou por um maçom. Depois disso, o candidato é submetido a uma sabatina na qual os meninos buscam conhecer melhor a formação e as ideias dos chamados forasteiros. “A Ordem não é uma religião ou seita, mas a crença em um ser supremo é um dos requisitos para ingressá-la”, explica José Roberto Torquato.

Os garotos que fazem parte da Ordem afirmam reconhecer o valor dos aprendizados. “Em meio aos Demolays tive importantes exemplos para a minha formação, os quais, provavelmente, eu não teria em outros lugares”, acredita Carlos. Para Murillo, a maior lição é o companheirismo. “Não julgamos as pessoas, damos logo um abraço fraterno”, garante.



Fonte: Site ig, parte destinada a jovens.

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